VOCÊ TRABALHA PARA ALGUÉM OU POR ALGUÉM?

Grande parte da carreira de nós três – sócios da Cardinalis – deu-se dentro de empresas. Éramos funcionários. Colaboradores. Empregados. Por quase toda nossa vida trabalhamos para alguém. Ora bolas, PARA alguém uma ova! POR alguém. É isso mesmo. Todos aqueles que trabalham numa empresa, no famoso regime CLT, faz exatamente isso. Trabalha POR alguém.

Mais fácil explicar alegoricamente. Voltemos mil anos no tempo. Um pouco mais, um pouco menos. Não existiam as “empresas”. Se o sujeito não era nobre, do clero, do exército ou camponês só tinha dois jeitos de se virar. Caía na vagabundagem ou trabalhava como um profissional livre. Um artesão ou pequeno comerciante. Daí vieram os sapateiros, os herbalistas, os ferreiros, os carpinteiros, etc. Falando romanticamente, naquela época o mesmo sujeito obtinha as matérias primas, trabalhava-as até se tornarem um produto acabado e ele mesmo as vendia. Seu ateliê era também a sua loja. E ele executava todas as etapas da produção de um bem. Tomemos o exemplo do Sr. Karl Schmidt, habitante da Bavária. O Sr. Karl era sapateiro. Ele mesmo era o responsável por todas as etapas da confecção de cada par de sapatos. Imaginemos que o Sr. Karl era caprichoso e tinha bastante talento e afinco. Fazia ótimos sapatos e, portanto, vendia todos os que produzia. Até chegar ao ponto em que as encomendas eram maiores do que a sua capacidade de produção. Então o Sr. Karl colocou a filharada nos eixos e os pôs para trabalhar em seu ateliê, ensinando-os as etapas de se fazer um calçado. Um passou a ser responsável pela avaliação dos couros. Outro da produção das fôrmas de madeira. A filha dava os acabamentos finais e a senhora Schmidt, esposa de Karl, atendia no balcão. Toda essa gente trabalhava POR Karl. Como o patriarca não podia se desdobrar em 5 ao mesmo tempo e fazer tudo sozinho – como era quando o negócio era menor – a turma teve que ajudar. Trabalhavam POR Karl e PARA os clientes – aqueles que encomendavam e compravam os sapatos.

Avançando mil anos. Tomemos uma grande corporação e seu fundador. Querem um exemplo bacana? Tomemos o Facebook e Mark Zuckerberg. Pois bem, no inicio, do quarto de seu alojamento, Zuckerberg começou – sozinho – a fazer umas linhas de programação. Dali pra frente vocês sabem a história. A partir de determinado momento ele passou a contar com pessoas que faziam coisas POR ele. Amigos, talvez, no inicio. Depois passou a remunerar estas pessoas. Dali em diante elas viraram “colaboradores”. Avance mais no tempo. O Facebook tem milhares de funcionários. Todos trabalhando POR Zuckerberg. Desde a recepcionista, o segurança e a copeira até o programador, o gerente comercial, os vice-presidentes. Afinal, Zuckerberg aplica seu tempo em outras atividades e não pode, ele mesmo, receber todos que lá chegam, garantir a segurança do escritório, programar cada linha, etc etc etc.

Como o Agente Smith, do filme Matrix, a lógica capitalista faz com que o dono da empresa, seu fundador, incorpore em todos aqueles que trabalham POR ele, e assim levem a empresa adiante. Uns usam métodos de coaching avançados, empenham-se em transmitir seu espírito e seus conceitos para todos os seus clones Smith. Preocupam-se em deixar um legado, em inspirar. Em ser exemplo. Outros nem isto fazem. Tolos, creem que a necessidade de ganhar o dinheirinho no final do mês mova os Smiths a trabalharem bem por ele. Como ele mesmo faria se estivesse no lugar – abrindo a porta, servindo o café, fazendo sapatos ou linhas de programação.

Certo, acho que todos entenderam. Existem mil anos de distância entre o Sr. Karl e o Sr. Zuckerberg. Mas a lógica capitalista do trabalho é a mesmíssima. Apesar de toda essa gente trabalhar POR alguém, também trabalham PARA alguém, sem sombra de dúvidas. E quem é? Trabalham PARA os clientes. Quem compra. Quem paga o serviço ou produto. O “cara” mais importante de todos.

Pois bem, quantos de vocês trabalham PARA alguém ou POR alguém?

Refletiram?

Certo. E essa sua vontade de ser o Sr. Karl? De criar, do zero, o seu negócio? De deixar de trabalhar POR alguém, e passar a trabalhar PARA alguém? Pensou nisso? Saiba que a nova economia estimula muito esse pensamento. Até mesmo o Mark Zuckerberg se valeu desse momento. Se ele pode, por que você também não pode?

Este estalo nos moveu a criar a Cardinalis.
Aqui, pensamos assim.

keep-going

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